segunda-feira, 22 de abril de 2019

ARTIGO 2

Mais um artigo da série Notas sobre Investimento Social Privado no portal Cultura e Mercado

ARTIGO

O portal Cultura e Mercado publica a cada 15 dias meus artigos sobre gestão cultural e investimento social privado.
Espero que gostem

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Cultura e Transformação Social







Jailson de Souza e Silva e a potência das favelas


Economia Criativa



Notas sobre Investimento Social Privado 2

INCENTIVAR A ARTE É BOM PARA A SOCIEDADE – E PARA OS NEGÓCIOS

Durante os anos de 2017 e 2018, assistimos a ataques indiscriminados contra artistas plásticos, atores, museus e instituições culturais. As agressões se concentraram nas mídias sociais e se basearam em dois grandes eixos: o financiamento com recursos públicos de artistas e de obras, elegendo a Lei Rouanet como principal vilã, e ataques a conteúdos e expressões artísticas entendidas como contrárias aos fundamentos da família brasileira e de seus valores morais e religiosos.


O tema também foi um dos destaques da campanha presidencial, especialmente entre os seguidores do candidato vencedor que, aliás, continua a se utilizar do tema em suas manifestações pelas redes sociais, confirmando a relevância do tema para sua administração.
Registro com tristeza a permanência no debate público das discussões sobre produção artística e valores éticos. Entendo que, já próximos à terceira década do século XXI, e em uma sociedade complexa como a brasileira, estes temas já deveriam estar pacificados, principalmente porque dispomos de um arcabouço legal claramente estabelecido, inclusive na esfera constitucional.

A verdadeira demonização da Lei Rouanet mostra ignorância explícita sobre seu funcionamento e sobre os resultados positivos obtidos ao longo dos últimos anos, além de uma desvalorização implícita das manifestações artísticas e culturais. Afinal, existem incentivos econômicos muito maiores para outros setores de atividades, inclusive para setores maduros, como é o caso da indústria automobilística, que, além de não serem questionados, muitas vezes recebem apoio social entusiasmado. Nestes casos, seja como resultado de lobbies muito bem feitos, seja pela valorização social de seus produtos e serviços, essas indústrias conseguem conferir credibilidade aos incentivos recebidos. Incentivos originados de recursos públicos, que acabam por beneficiar prioritariamente agentes privados com resultados econômicos significativos.

O contrário acontece com a grande maioria dos incentivos para o campo da cultura e da arte. Afinal, uma das características mais relevantes do investimento neste campo é justamente o alcance coletivo de suas ações. Arte e cultura são um componente fundamental de uma sociedade saudável. Colaboram para o crescimento do capital social, uma vez que a fruição das artes, especialmente as visuais e cênicas, se dá em público, de maneira compartilhada, apoiando o relacionamento entre gerações, localidades, faixas de renda e escolaridade, incentivando a convivência e a diversidade.

Mas a arte pode ir muito além da construção de valores simbólicos e laços sociais. Nas sociedades contemporâneas, arte e a cultura ajudam a compor a chamada “economia criativa”, que gera bilhões de dólares em renda, estimula a inovação, favorece os arranjos produtivos locais e contribui fortemente para o crescimento econômico. 
Mário Mazzilli

Notas sobre Investimento Social Privado 1

Empresas e a economia criativa

Nos últimos 30 anos as empresas privadas se tornaram agentes econômicos tão poderosos que, em muitos casos, superam a capacidade de investimento do setor público. À medida que as empresas passam a agir positivamente no atendimento a demandas sociais, antes endereçadas ao Estado, acabam por se tornar agentes sociais legítimos em campos que vão da saúde à educação, da infraestrutura à geração de renda e, mais recentemente, na esfera da arte, do esporte e da cultura. Até há pouco vistas como secundárias, ou apenas como indicadores de um certo refinamento pessoal, as experiências culturais e artísticas são cada vez mais entendidas como direitos fundamentais para a formação da identidade e da cidadania, assim como a saúde, a segurança e a educação,

Arte e cultura colaboram para o desenvolvimento de novas capacidades profissionais e criam milhares de novos empregos, com alta capilaridade e remuneração mais alta do que a média de setores econômicos mais tradicionais. 

Nas sociedades contemporâneas, arte e a cultura ajudam a compor a chamada “economia criativa”, que gera bilhões de dólares em renda, estimula a inovação, favorece os arranjos produtivos locais e contribui fortemente para o crescimento econômico. Arte, cultura, criatividade e inovação estão no centro da chamada “economia do conhecimento” e “representam maneiras totalmente novas de criação de valor para as empresas e para os cidadãos”, nas palavras de Klaus Schwab, criador do Fórum Econômico Mundial.

Mário Mazzilli