segunda-feira, 24 de novembro de 2014

GLOSSÁRIO DE GESTÃO CULTURAL

Emprego Cultural



Nesta seção serão publicados, aleatoriamente e sem periodicidade definida, conceitos, definições e termos do campo da arte, da cultura e da gestão cultural. A fonte para este post é o site do Itáu Cultural, mais especificamente, o glossário do Observatório Itaú Cultural.

link: http://novo.itaucultural.org.br/obsglossario/emprego-cultural/

Emprego Cultural*

Termos relacionados: Economia da cultura; profissão cultural; política cultural.
Equivalência em outras línguas: Emploi culturel, cultural employment, empleo cultural.
A importância econômica do setor cultural vem sendo crescentemente destacada e, nesse contexto, o emprego cultural assume um papel crucial por sua capacidade de gerar emprego e renda. Em uma primeira definição, o emprego cultural abrange tanto as profissões circunscritas ao universo da cultura, das artes e da informação, quanto aquelas exercidas em uma unidade econômica do setor cultural, mesmo que não sejam propriamente artísticas ou culturais (podem ser, por exemplo, empregos administrativos, técnicos, operacionais etc.).
O dimensionamento do emprego cultural envolve questões metodológicas relacionadas à conceituação do setor cultural e à necessidade de estabelecer uma delimitação precisa do campo. Na França, país pioneiro na produção de estatísticas culturais, o Observatoire de l’Emploi Culturel, do Département des Études, de la Prospective e des Statistiques (Deps) parte de uma delimitação restrita do setor cultural, sendo consideradas profissões culturais apenas aquelas relacionadas ao domínio das artes, do espetáculo e da informação: ligadas ao audiovisual, ao espetáculo, às artes plásticas e profissões relacionadas a essa atividade, à literatura, à documentação e conservação, a aulas de arte e à arquitetura.
Quando a Comunidade Européia iniciou os primeiros trabalhos sobre emprego cultural na Europa, constatou-se que nenhum dos países usava a mesma nomenclatura, o que impedia um estudo comparativo. Um processo de harmonização buscou sanar o problema e passou-se a circunscrever o emprego cultural com base no conjunto de ocupações provenientes seja de uma profissão cultural, seja do trabalho em uma unidade econômica do setor cultural, podendo envolver três diferentes situações: (a) ocupações provenientes de uma profissão cultural e do trabalho no setor cultural (exemplos: artista em uma sala de espetáculos; jornalista em uma televisão); (b) ocupações provenientes de uma profissão cultural e do trabalho fora do setor cultural (exemplos: documentarista em uma administração; designer em uma indústria de automóvel); (c) ocupações provenientes de uma profissão não cultural e do trabalho no setor cultural (exemplos: porteiro em um cinema; secretária de uma editora).
No Brasil, a realização de pesquisas específicas sobre emprego cultural ainda não é uma prática frequente, mas algumas iniciativas começam a reverter esse quadro. Os estudos sobre emprego cultural desenvolvidos pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) abordam, com base nas informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aspectos como a proporção de trabalhadores formais e informais no setor cultural, gênero, raça, idade, escolaridade, distribuição geográfica, salário médio e média de horas trabalhadas.
Em parceria com o Ministério da Cultura (MinC), o IBGE lançou em 2006 a primeira edição do “Sistema de Informações e Indicadores Culturais do IBGE”, a fim de organizar e sistematizar informações sobre o setor cultural brasileiro com base nos dados de suas pesquisas correntes, pelo viés da produção, do consumo, do emprego e dos gastos públicos. Nesse estudo, consideraram-se como campo propriamente cultural as atividades diretamente ligadas à cultura e às artes (edição de livros, rádio, televisão, teatro, música, bibliotecas, arquivos, museus e patrimônio histórico), mas incorporaram-se também nas análises outro campo, composto de atividades indiretamente relacionadas à cultura, agregando em uma mesma classificação aquelas consideradas culturais e outras não necessária ou exclusivamente ligadas ao setor.
Ainda há muito a avançar, mas essas iniciativas vêm contribuindo para que se possa efetivamente traçar um panorama do emprego cultural no país e fornecer subsídios para a formulação de políticas públicas.
* Verbete escrito por Liliana Sousa e Silva e Lucia Maciel Barbosa de Oliveira, pesquisadoras do Observatório Itaú Cultural.

Bibliografia

FRANCE. Département des Études, de la Prospective et des Statistiques (DEPs).”L’emploi culturel dans l’Union européenne em 2002: donnés de cadrage et indicateurs”. Les notes de l’Observatoire de l’Emploi Culturel, n. 39, juin 2005, Anexe.
Revista Observatório Itaú Cultural/OIC ? n. 2, (mai./ago. 2007). São Paulo, SP: Itaú Cultural, 2007.
Revista Observatório Itaú Cultural/OIC ? n. 3 (set./dez. 2007). São Paulo, SP: Itaú Cultural, 2007.
TOLILA, Paul. Cultura e economia: problemas, hipóteses, pistas. São Paulo: Iluminuras; Itaú Cultural, 2007.

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