domingo, 21 de setembro de 2014

GLOSSÁRIO DE GESTÃO CULTURAL


Nesta seção serão publicados, aleatoriamente e sem periodicidade definida, conceitos, definições e termos do campo da arte, da cultura e da gestão cultural. A fonte deste post é a 2ª Edição, revista e ampliada do Dicionário Crítico de Política Cultural do professor Teixeira Coelho (iluminuras, 2012)



Produto cultural
Sumário: produto cultural, bem cultural, fungibilidade do produto cultural.
Termos relacionados: bem artístico, patrimonialismo, mercado simbólico.

Tratados regionais de integração econômica e cultural definem os produtos culturais como aqueles que expressam idéias, valores, atitudes e criatividade artística e que oferecem entretenimento, informação ou análise sobre o presente, o passado (historiografia) ou o futuro (prospectiva, cálculo de probabilidade, intuição), quer tenham origem popular (artesanato), se tratem de produtos massivos (discos de música popular, jornais, histórias em quadrinhos) ou circulem por público mais limitado (livros de poesia, discos e cds de música erudita, pinturas). Embora desta definição participem conceitos vagos, como "ideias" e "criatividade artística", ela exprime um consenso geral sobre a natureza dos produtos culturais.

Uma distinção cabe ser feita entre produto cultural e bem cultural. Este vincula-se à noção de um patrimônio pessoal ou coletivo e designa, em princípio, por seu valor simbólico, algo infungível, isto é, algo que não poderia ser trocado por moeda. Mesmo que na origem tenha sido eventualmente um produto - como um retrato de grupo encomendado por médicos a um pintor -, circunstâncias de variada natureza transformaram-no em algo especial, fora do mercado. A Torre Eiffel é um bem cultural, como a Catedral de Brasília ou a pintura de Pedro Américo que representa a independência do Brasil, e não um produto. Napoleão levou para França, como resultado de suas campanhas militares, tesouros artísticos que constituíam bens culturais das nações pilhadas, muito mais do que simples produtos. Telas como as pintadas por Van Gogh ou Rembrandt, bem como a Capela Sixtina, de autoria de Michelangelo, conquistaram o estatuto de bens culturais. Na atualidade, porém, sabe-se que a maioria desses bens pode ter seu valor traduzido em moeda, o que acaba de algum modo por transformá-los em produtos (commodities) culturais ou por apontar para o definhamento crescente da ideia de bem cultural.

Referência:
Canclini, N.G.; Niebla, G.G (coords.). La educación y la cultura ante el tratado de libre comercio. Méxixo: Nexos/Nueva imagem, 1992

Nenhum comentário:

Postar um comentário