segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Glossário de Gestão Cultural


Nesta seção serão publicados, aleatoriamente e sem periodicidade definida, conceitos, definições e termos do campo da arte, da cultura e da gestão cultural. A fonte deste primeiro post é o site do Itaú Cultural. No futuro, outras fontes e referências poderão ser utilizadas.


Identidade Cultural*

Termos relacionados: Política cultural, ação cultural, direitos culturais, diversidade cultural.
Equivalência em outras línguas: Cultural identity; identidad cultural.

Identidade cultural é um processo dinâmico, de construção continuada, que sistematiza relações entre indivíduos e grupos e envolve o compartilhamento de patrimônios comuns, tangíveis e intangíveis, como a língua, a religião, as artes, o trabalho, os esportes e as festas, entre outros. Em decorrência do processo de globalização, as identidades, hoje, não apresentam contornos definidos, inserindo-se em uma dinâmica cultural fluida e mutante. Tal processo intensificou os intercâmbios entre diferentes indivíduos e culturas, ampliando o diálogo e as tensões entre eles. A diversidade cultural que o mundo apresenta hoje, as múltiplas e flutuantes identidades em processo contínuo de construção, a defesa do fragmentário, das parcialidades e das diferenças trouxeram, como corolário, uma volatilidade das identidades que se inscrevem em outra lógica: da lógica da identidade para a lógica da identificação.
Na Agenda 21 da Cultura – documento orientador das políticas públicas de cultura e que contribui para o desenvolvimento cultural da humanidade – o papel protagonista das cidades é sublinhado como espaço de construção de uma cidadania efetivamente democrática, em que a troca cotidiana entre diferentes sujeitos, portadores de múltiplas identidades, realiza-se na interseção entre o local e o global. Esse documento inova ao reconhecer que a identidade cultural de todo indivíduo é dinâmica, em contraposição à noção da rigidez das identidades. Enfatiza também o diálogo entre identidade e diversidade, indivíduo e coletividade como ferramenta vital para garantir não apenas a sobrevivência da diversidade linguística e o desenvolvimento das culturas mas, sobretudo, para garantir uma cidadania cultural planetária em que todos tenham direito a afirmar suas identidades e experimentar novas, ampliando os processos de convivência e interculturalidade.
Para Gerardo Caetano, o patrimônio, concebido como instrumento de política cultural, deve ser pensado hoje de forma mais ampla, não como um ‘dom’ de um passado ancestral intocável, incentivador de fundamentalismos, mas por meio de uma visão mais refinada, permitindo que a sociedade crie formas inovadoras de se apropriar da história e da memória coletiva, tema fundamental para pensar as identidades culturais, colocando em xeque a noção de identidade nacional que pautava a vida dos habitantes enraizados em territórios geográficos delimitados.
* Verbete escrito por Liliana Sousa e Silva e Lucia Maciel Barbosa de Oliveira, pesquisadoras do Observatório Itaú Cultural.
Link para o original:  Identidade Cultural

Bibliografia

Agenda 21 da Cultura. In: Revista Observatório Itaú Cultural/OIC – n.1 (jan./abr.2007). São Paulo, SP: Itaú Cultural, 2007, p. 53-63.
CAETANO, Gerardo. Cultura, desenvolvimento e política. In: Revista Observatório Itaú Cultural/OIC – n. 2 (mai/.ago.2007). São Paulo, SP: Itaú Cultural, 2007, p. 39-49.
COELHO NETTO, José Teixeira. Dicionário crítico de política cultural. SP: Iluminuras/Fapesp, 1997.

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